Segunda-feira, Setembro 11, 2006

O Banco da Discórdia

Estava eu há uns dias a tirar fotografias e a pedir opinião das pessoas na rua para ilustrar as barreiras arquitectónicas colocadas ao cidadão de mobilidade condicionada (não são só os que se deslocam em cadeira de rodas ou com bengala. Há ainda os invisuais, as grávidas, as mulheres com crianças de colo, os idosos, etc) e de uma maneira geral todos os que apenas no passeio têm um meio seguro de se deslocar...Dizia eu, estava a fotografar este banco de jardim, frente ao tribunal da Mealhada:















Quando os três velhotes sentados me chamaram... lá vou eu, e aproveito para tirar outra foto do "obstáculo" (o banco que está no meio do passeio), tendo desta vez o cuidado de "cortar as cabeças":















E logo um com um tom bem azedo:
-Jovem, o que é que você está a fazer?
-A tirar fotografias, respondo-lhe.
-Porquê?
-Porque o banco está no passeio, e está a impedir a circulação de pessaos de cadeira de rodas! Por isto estou a tirar fotografias para mostrar à Câmara!
-Não pode! E o banco está aqui e não se mexe, bla bla bla...

Ameaçam-me com o tribunal, se eu divulgar as fotografias, porque segundo eles as fotos são privadas (só as poderia tirar em espaço privado.... ah, influência das series TV-US), tiveram para comigo palavras muito violentas (e algumas racistas, devido ao meu sotaque :/ ).
Um deles mentiu de modo descarado: Que foi director da Santa Casa da Misericórdia, que os deficientes passam à vontade (não sei por onde), que o banco não está no meio do passeio, que as pessoas de cadeira de rodas não têm nada que ir às lojas comerciais (autêntica!), etc....

Foi lindo... estilo teatro de rua com uma assistência curiosa. Da próxima ponho um boné no chão e ainda ganho alguns trocos. Velhotes. Fartei-me de gozar com a situação, sem nunca lhes faltar ao respeito.

Situação: O banco está simplesmente pousado no chão, não está selado, e está aí por dar jeito aos velhotes, que são grandes cavalheiros: Ainda há pouco tempo estavam a bloquear o passeio com o banco, vem uma senhora em cadeira de rodas, não tem acesso à rampa, que está bloqueado pelo banco de jardim com os velhotes abancados, tenta descer do passeio com a cadeira mas não consegue, e nenhum dos cavalheiros mexeu o cu gordo para ajudar a senhora de cadeira de rodas a descer o passeio. Velhotes...

Já agora, porque carga de água é que o banco é igual aos outros do outro lado da estrada, presos ao chão? Sera que não falta lá um? Não é preciso ser nenhum Sherlock para perceber que alguém retirou o banco de um sitio qualquer e o colocou no sítio onde está, sem qualquer respeito por quem tem o direito ou a necessidade de usar o passeio. Não terá sido a Câmara, mas bem poderia, como lhe compete, voltar a pôr o banco onde pertence. (Ali não é de certeza. O banco de lá está ao lado, sempre vazio, como se pode ver na foto. Se acreditasse na má-fé das pessoas diria que é de propósito)